
Algumas inspirações chegam pelos olhos. Outras chegam pela memória. A Bandeja / Fruteira / Centro de Mesa Vitória-Régia nasceu justamente do encontro entre essas duas formas de inspiração. Sua origem não está apenas na beleza de uma planta brasileira, mas também em uma lembrança afetiva que me acompanha desde a infância. Antes mesmo de conhecer a vitória-régia, eu já conhecia seu nome. Ele aparecia constantemente no universo musical de Tim Maia, associado à banda que o acompanhava. Naquela época, eu não sabia que se tratava de uma planta. O que permanecia comigo era apenas a força daquele nome: sonoro, marcante e profundamente brasileiro. Anos depois, ao descobrir a planta, percebi que aquela palavra carregava muito mais significado do que eu imaginava. Foi nesse momento que memória e natureza começaram a se encontrar, abrindo caminho para a criação desta peça.
Quando a música veio antes da natureza
A relação entre Tim Maia e o nome Vitória Régia tem sua própria história. A banda que acompanhava o artista recebeu esse nome em referência à Rua Vitória Régia, localizada no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, onde ficava o estúdio e o espaço de ensaio do músico.
Com o passar do tempo, o nome se tornou parte da identidade daquele universo criativo. Para mim, porém, ele ficou registrado de outra forma: como uma lembrança da infância. Antes da planta, veio a música. Antes da inspiração visual, veio uma memória afetiva ligada à cultura brasileira.
A Vitória-Régia da Que Mãos não surge como uma homenagem direta ao artista ou à banda. Ela nasce da conexão pessoal com esse nome e da maneira como ele permaneceu vivo na memória até encontrar um novo significado através da natureza.
A força escondida sob a superfície
Quando finalmente conheci a vitória-régia, o que mais me impressionou foi sua dualidade.
À distância, ela parece extremamente simples: uma grande superfície circular repousando sobre a água. Mas basta observar com mais atenção para perceber que existe uma estrutura extraordinária sustentando aquela forma aparentemente leve.
A planta possui uma arquitetura natural impressionante, capaz de distribuir peso e garantir estabilidade sobre a superfície do lago. Existe algo muito bonito nessa combinação entre delicadeza visual e resistência estrutural.
Essa ideia se tornou uma das principais inspirações para a peça. Sempre me atraíram objetos que não revelam tudo à primeira vista. Objetos cuja simplicidade esconde profundidade, intenção e complexidade.
A Vitória-Régia procura traduzir exatamente essa sensação: uma presença serena que encontra sua força naquilo que não precisa ser exibido.
A beleza da simplicidade
Poucas formas na natureza conseguem ser tão simples e tão marcantes ao mesmo tempo quanto a vitória-régia.
Seu desenho é quase elementar: um círculo amplo, acolhedor e equilibrado. No entanto, detalhes como sua borda elevada, suas proporções e sua maneira de ocupar o espaço fazem com que ela tenha uma presença única.
Ao desenvolver a peça, a intenção nunca foi reproduzir a planta literalmente. O objetivo era capturar sua essência.
Por isso, a Bandeja / Fruteira / Centro de Mesa Vitória-Régia apresenta linhas limpas, proporções generosas e uma linguagem visual que valoriza a simplicidade. É uma peça que não depende de excessos decorativos para existir. Sua identidade está no desenho, na matéria-prima e na forma como se relaciona com o ambiente.
Assim como a planta cria presença sobre a água, a peça cria presença dentro da casa.
Uma pequena ilha dentro do lar
Existe uma imagem que sempre me fascinou ao observar a vitória-régia: a ideia de uma pequena ilha flutuando no meio do lago.
Na natureza, ela funciona como um ponto de apoio. Um lugar onde pequenos animais podem pousar, descansar e encontrar estabilidade em meio ao movimento da água.
Esse simbolismo teve grande influência no desenvolvimento da peça.
Como bandeja, ela acolhe e organiza objetos do cotidiano. Como fruteira, valoriza a beleza natural dos alimentos. Como centro de mesa, cria um ponto focal capaz de estruturar visualmente todo o ambiente.
Em qualquer uma dessas funções, sua essência permanece a mesma: oferecer suporte, criar ordem e destacar aquilo que repousa sobre sua superfície.
Mais do que servir, ela acolhe.
Da água para a madeira
Traduzir a vitória-régia para a madeira foi um caminho natural dentro da linguagem da Que Mãos.
Existe algo interessante nesse contraste. A inspiração vem de uma planta que flutua sobre a água, mas ganha forma através de um material sólido, durável e cheio de personalidade.
Cada peça possui veios, tonalidades e desenhos únicos. Assim como acontece na natureza, nenhuma superfície é exatamente igual à outra. A madeira carrega sua própria história e transforma cada exemplar em uma peça singular.
Essa característica reforça uma das qualidades que mais admiro no design autoral: a capacidade de revelar a beleza dos materiais em sua forma mais genuína.
Uma peça que carrega mais do que aparenta
A Vitória-Régia reúne diferentes camadas de significado. Ela nasce de uma memória ligada à música brasileira, encontra inspiração em uma das formas mais emblemáticas da natureza nacional e se transforma em um objeto pensado para fazer parte da vida cotidiana.
Pode funcionar como bandeja, fruteira ou centro de mesa. Mas, acima de tudo, foi criada para ser uma presença dentro do ambiente.
Uma presença que organiza sem impor.
Que acolhe sem excessos.
Que chama atenção sem precisar gritar.
Assim como a planta que a inspira, a Vitória-Régia parece simples à primeira vista. Mas é justamente nessa simplicidade que reside sua riqueza. Uma pequena ilha de madeira capaz de trazer beleza, significado e permanência para o centro da casa.



