
Algumas peças nascem da vontade de resolver uma necessidade. Outras surgem da admiração por um material. O Porta-Copos Xiloteca nasceu dessa segunda motivação.
Ao longo dos anos, trabalhando diariamente com diferentes madeiras brasileiras, comecei a perceber que cada espécie possui uma identidade própria. Algumas revelam veios delicados, outras exibem contrastes marcantes. Existem madeiras claras, escuras, densas, leves, discretas ou intensamente expressivas. Essa diversidade sempre me fascinou.
Foi dessa observação que surgiu uma pergunta: seria possível criar uma xiloteca que não servisse apenas para ser observada, mas que fizesse parte da vida das pessoas?
Foi assim que nasceu o Porta-Copos – Xiloteca da Que Mãos.
Quando uma coleção ganha função
Tradicionalmente, uma xiloteca é uma coleção de amostras de madeira utilizada para estudo e identificação das espécies. É uma ferramenta valiosa para marceneiros, designers e pesquisadores, permitindo conhecer a enorme diversidade de madeiras existentes.
Sempre admirei essas coleções, mas havia algo que me incomodava. Depois de organizadas, elas normalmente permanecem guardadas ou expostas apenas como referência visual.
Parecia existir uma oportunidade de levar essa experiência para outro lugar.
Em vez de criar uma coleção destinada apenas à contemplação, imaginei uma que pudesse participar dos encontros, das conversas e da rotina da casa.
Uma xiloteca para ser usada.
Cada madeira conta sua própria história
Cada porta-copos é produzido em uma espécie diferente de madeira presente no portfólio da Que Mãos. Reunidos, eles revelam uma pequena amostra da riqueza das madeiras brasileiras e mostram como a natureza é capaz de criar cores, texturas e desenhos únicos.
Ao utilizá-los, a relação com o material muda completamente.
A madeira deixa de ser apenas algo para observar e passa a ser tocada, escolhida e vivenciada. Aos poucos, cada espécie ganha personalidade. O Freijó, a Peroba-Rosa, a Imbuia ou o Roxinho deixam de ser apenas nomes e passam a fazer parte da memória de quem utiliza a peça.
Conhecer a madeira deixa de ser um exercício técnico e se transforma em experiência.
A forma de uma gota
O desenho dos porta-copos também nasce da própria natureza.
Cada peça possui o formato de uma gota d’água. À primeira vista, essa escolha parece fazer referência apenas à bebida apoiada sobre o porta-copos. Mas existe um significado mais profundo.
A água acompanha toda a história da madeira. É ela que percorre o interior da árvore, transportando nutrientes e tornando possível seu crescimento. Sem água, não existe floresta. Sem floresta, não existe madeira.
Depois de transformada em objeto, a madeira volta a encontrar a água, agora em um novo contexto: apoiando o copo que protege.
A mesma água que um dia alimentou a árvore retorna para repousar sobre ela.
A forma da gota representa exatamente esse ciclo.
Um detalhe que aproxima as pessoas
Durante o desenvolvimento da peça, surgiu uma consequência curiosa.
Em encontros entre amigos e familiares, é comum que os copos se misturem sobre a mesa. Muitas vezes esquecemos onde deixamos a bebida ou acabamos utilizando o copo de outra pessoa.
Na Xiloteca, cada pessoa passa a identificar naturalmente seu copo pela madeira escolhida.
“Eu estava usando a Imbuia.”
“O meu é o Freijó.”
Sem precisar de nomes, etiquetas ou marcações, cada espécie se transforma em uma referência visual única.
Uma solução simples, mas que faz da diversidade das madeiras também uma pequena ferramenta para compartilhar momentos.
Design que revela a matéria
Na Que Mãos, acredito que os materiais possuem uma linguagem própria.
O papel do design não é escondê-la, mas evidenciá-la.
Na Xiloteca, a madeira deixa de ser apenas a matéria-prima do objeto e se torna seu principal tema. A função do porta-copos existe para aproximar as pessoas desse material, permitindo que cada espécie seja conhecida através do uso cotidiano.
Mais do que proteger a mesa, a peça convida a observar aquilo que normalmente passa despercebido.
Mais do que um porta-copos
O Porta-Copos Xiloteca transforma uma coleção de madeiras em uma experiência.
Cada peça reúne uma espécie diferente, uma forma inspirada na água e uma função presente na rotina da casa. Juntas, elas lembram que os materiais carregam histórias muito antes de se tornarem objetos.
A água alimenta a árvore.
A árvore dá origem à madeira.
A madeira se transforma em design.
E o design volta à mesa para receber, mais uma vez, a água.
Mais do que um conjunto de porta-copos, a Xiloteca é um convite para conhecer, utilizar e apreciar a extraordinária diversidade das madeiras brasileiras.
