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MaVi: quando dois materiais se tornam um só

Vaso - MaVi
Vaso – MaVi

Alguns objetos nascem da matéria-prima. Outros nascem da maneira como materiais diferentes se encontram. O Vaso MaVi surgiu da vontade de explorar esse encontro, mostrando que elementos aparentemente opostos podem formar uma única linguagem.

Sua composição é simples: uma base de vidro reaproveitada, originalmente parte de um pote de conserva, recebe uma estrutura em madeira maciça cuidadosamente desenhada para dar continuidade à sua forma. Em vez de esconder a união entre os materiais, o projeto faz dela sua principal característica.

O resultado é um objeto onde madeira e vidro deixam de parecer peças separadas e passam a se comportar como uma única forma.

Um novo significado para um objeto comum

A base de vidro do MaVi já teve outra função. Durante muito tempo, foi apenas um recipiente destinado ao uso cotidiano. Depois de cumprir esse papel, poderia simplesmente ter sido descartada ou reciclada.

O design propõe um caminho diferente.

Em vez de transformar completamente o vidro, a peça procura revelar um novo potencial que já existia ali. A base permanece exercendo uma função semelhante à original: continua sendo um recipiente capaz de armazenar água. O que muda é o contexto. Aquilo que antes era um objeto comum passa a integrar uma peça autoral, carregando uma nova presença e um novo significado.

Sempre me interessou essa capacidade do design de ressignificar materiais sem apagar sua história.

Quando o contraste cria unidade

Madeira e vidro possuem características quase opostas.

A madeira é quente, orgânica e marcada pelos veios que registram o tempo de crescimento da árvore. O vidro é frio ao toque, transparente e praticamente desaparece quando atravessado pela luz.

No MaVi, essas diferenças não são suavizadas. Elas permanecem visíveis e justamente por isso se valorizam mutuamente.

A transparência do vidro destaca a textura da madeira.

A presença da madeira faz com que o vidro pareça ainda mais leve.

Cada material revela qualidades que talvez passassem despercebidas se estivesse sozinho.

Uma forma que continua

O desenho da peça foi pensado para que a transição entre os materiais acontecesse de maneira natural.

A madeira encaixa-se sobre o vidro como se fosse a continuação de sua própria forma, criando uma leitura contínua do conjunto. No centro, um furo conduz delicadamente o caule da flor até o reservatório de água existente na base de vidro.

Essa solução preserva a função do recipiente original ao mesmo tempo em que lhe atribui uma nova identidade.

É um detalhe simples, mas que traduz a essência do projeto: transformar sem apagar a origem.

Mais do que um vaso

Na Que Mãos, cada objeto nasce de uma história.

O MaVi fala sobre encontros.

Entre materiais diferentes.

Entre funções antigas e novos significados.

Entre o cotidiano e o design autoral.

A base de vidro continua sendo aquilo que sempre foi, mas agora participa de uma nova narrativa. A madeira não procura substituí-la, apenas completa sua forma e revela possibilidades que antes permaneciam ocultas.

Mais do que um vaso, o MaVi é uma peça sobre transformação. Um lembrete de que muitas vezes a beleza não está em criar algo completamente novo, mas em olhar para aquilo que já existe com outros olhos.

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