
Vivemos cercados por relógios. Eles marcam horas, organizam compromissos e dão ritmo aos nossos dias. Ainda assim, existe uma diferença entre medir o tempo e realmente vivê-lo. Há momentos que parecem passar em segundos e outros que permanecem conosco por muitos anos. O tempo é o mesmo, mas nossa experiência dele nunca é.
O Vaso de Tubo de Ensaio – Vai Vem nasceu dessa reflexão. Inspirado na forma de uma ampulheta desalinhada, ele não procura representar a passagem do tempo, mas provocar uma pergunta: se uma ampulheta precisa estar perfeitamente alinhada para que o tempo flua, o que acontece quando ela deixa de estar?
Uma ampulheta que não mede o tempo
A ampulheta é um dos símbolos mais antigos da passagem do tempo. Seu funcionamento depende de um equilíbrio preciso: basta incliná-la para que a areia deixe de escorrer e o movimento aparente do tempo seja interrompido.
O Vai Vem nasce justamente dessa imagem. Sua forma remete a uma ampulheta que perdeu o alinhamento, onde o fluxo imaginário da areia deixa de acontecer. O tempo continua existindo, mas já não pode ser medido. A peça transforma esse instante em uma metáfora sobre as pausas que escolhemos criar em meio à velocidade da vida cotidiana.
Um convite à presença
Embora ninguém possa controlar o tempo, todos podem decidir como vivê-lo. Em um mundo marcado pela pressa, parar por alguns instantes pode ser um gesto de resistência.
Observar uma flor, acompanhar o crescimento de um pequeno galho ou simplesmente permitir que o olhar descanse sobre um objeto também são maneiras de desacelerar. O Vai Vem foi concebido como esse lembrete silencioso: um convite para valorizar o presente em vez de apenas acompanhar o relógio.
O tempo revelado pelos materiais
A madeira e o vidro participam dessa narrativa de forma discreta. A madeira carrega em seus veios os registros de anos de crescimento, enquanto o tubo de vidro abriga uma flor ou uma muda que inevitavelmente se transformará com o passar dos dias.
A peça reúne diferentes manifestações do tempo em um único objeto. De um lado, a memória registrada na matéria. Do outro, a transformação acontecendo diante dos olhos. É justamente esse contraste que torna cada composição única.
O tempo vai… mas será que ele vem?
O nome Vai Vem nasce dessa pergunta. Estamos acostumados a dizer que o tempo vai, que passa e que não volta. Mas talvez a questão mais importante seja outra: como escolhemos viver o tempo que temos?
O Vaso de Tubo de Ensaio – Vai Vem não procura responder essa pergunta. Ele apenas a mantém presente. Inspirado na imagem de uma ampulheta desalinhada, transforma um símbolo da passagem do tempo em um convite à contemplação.
Porque talvez não possamos parar o tempo.
Mas sempre podemos escolher, por um instante, parar junto com ele.
